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08 de março - O Dia Internacional das Mulheres e a Força Feminina dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho do Paraná.

Atualizado: 8 de mar. de 2025

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, representa a celebração das conquistas sociais, econômicas, culturais e políticas das mulheres, bem como a contínua luta pela igualdade de gênero e pelos direitos humanos.

A data comemorativa tem suas raízes em diversos eventos históricos que marcaram a luta das mulheres por direitos iguais e melhores condições de vida e trabalho. No início do século XX, várias manifestações e greves de mulheres ocorreram em diferentes partes do mundo, reivindicando melhores condições de trabalho, salários justos e direitos políticos. Um exemplo marcante foi a greve das operárias da Triangle Shirtwaist Company, em Nova York, em 1908, que lutavam por melhores condições de trabalho.

Em 1910, durante a Segunda Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca, a ativista alemã Clara Zetkin propôs a criação de um dia dedicado às mulheres, para celebrar suas lutas e conquistas. Em 8 de março de 1917, cerca de 90 mil operárias russas participaram de um protesto conhecido como "Pão e Paz", exigindo melhores condições de trabalho e de vida, além de se manifestarem contra a Primeira Guerra Mundial e o regime czarista. Esse evento é considerado um marco na história do Dia Internacional da Mulher.

Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, reconhecendo a importância da data e das lutas femininas ao longo da história. Esses eventos destacam a importância do Dia Internacional da Mulher como um símbolo da luta contínua por igualdade de gênero e direitos humanos.

Hoje podemos realizar muitas coisas graças à luta de inúmeras mulheres e ao apoio de muitos homens que nos auxiliaram nessas batalhas. Além de ter conquistado o direito ao voto, à igualdade no trabalho, à educação e à participação política, a mulher pode escolher com quem casar, SE vai casar ou tornar-se mãe. Hoje, isso é uma escolha, algo que já foi considerado o papel principal da mulher na sociedade.

Muitas mulheres inspiradoras deixaram suas marcas na história e na cultura do nosso país. Foram Anitas, Zildas, Berthas, Enedinas, Chiquinhas, Dandaras, Marias, Antonietas, Chicas e tantas outras que construíram suas histórias e legados ao longo do tempo e nos inspiraram a lutar por nossos direitos e pelas nossas convicções.

No espírito desse movimento revolucionário feminino, onde amor, determinação, ternura, resiliência e coragem se entrelaçam, o Departamento Cultural exalta a força feminina do tradicionalismo gaúcho através da 2ª Prenda do MTG-PR, Gabriela de Oliveira Silva.

Na 27ª edição do Concurso de Prenda do MTG-PR, realizado no CTG Querência Santa Mônica em Colombo, 1ª RT/MTG-PR, Gabriela de Oliveira Silva conquistou o título de 2ª Prenda Adulta do MTG-PR. A surpresa veio alguns meses depois, com o anúncio de seu casamento e de sua gravidez.

Gabriela de Oliveira Silva, 2ª Prenda do MTG-PR (2024/2026) com o pequeno Noah nos braços, fruto do casamento de Gabriela com Endyel Borel
Gabriela de Oliveira Silva, 2ª Prenda do MTG-PR (2024/2026) com o pequeno Noah nos braços, fruto do casamento de Gabriela com Endyel Borel

Gabriela hoje personifica uma conquista significativa para as mulheres tradicionalistas. Ela pôde escolher casar, ser mãe, e, graças à luta de tantas prendas que a antecederam, pode continuar no cargo que conquistou. Ela e tantas outras mulheres mães e esposas provam que ser mãe não diminui a mulher como tradicionalista, nem impede que continue trabalhando com dedicação e amor pela tradição gaúcha, desde que esta seja sua escolha e vontade. Sua história é um testemunho da evolução e fortalecimento do papel feminino no movimento tradicionalista. A seguir, apresentamos o depoimento de Gabriela, que ilustra essa importante conquista:


Ser a 2ª Prenda do Movimento Tradicionalista Gaúcho do Paraná já é, por si só, uma grande honra e responsabilidade. Mas ser a primeira na história a exercer esse cargo como mãe e mulher casada, torna essa trajetória ainda mais significativa.

Esse momento representa muito mais do que uma conquista pessoal. É a prova de que tradição e evolução podem caminhar juntas, que o amor pela cultura gaúcha não precisa ser limitado por regras que, por tanto tempo, restringiram sonhos e possibilidades. Hoje, carrego no peito não apenas a faixa de prenda, mas também o orgulho de representar tantas mulheres que vieram antes de mim e que, por não terem essa oportunidade, precisaram abdicar de seus sonhos em nome de um modelo que não as contemplava.

E agora, ao olhar para essa faixa com tudo que ela significa e, ao mesmo tempo, segurar meu filho nos braços, sinto a força da minha caminhada. É um simbolismo que vai além das palavras: é a prova de que posso ser prenda e mãe, que posso honrar minha cultura sem abrir mão do amor mais puro que existe. Cada laço atado na minha pilcha carrega histórias, cada passo dado reflete a coragem de seguir em frente, sabendo que hoje eu não caminho mais sozinha – tenho nos meus braços a continuação da minha história.

Ser mãe e seguir representando o MTG é um símbolo de resistência e transformação. É mostrar que a mulher pode e deve ocupar todos os espaços que desejar, sem precisar escolher entre a maternidade, a vida pessoal e suas paixões. É dar voz a um novo tempo, onde nossas raízes se fortalecem não apenas pela preservação da cultura, mas também pelo reconhecimento do papel essencial da mulher em todas as suas formas.

Carrego comigo a responsabilidade de abrir caminhos para que outras prendas possam viver essa experiência plenamente, sem renúncias, sem receios. Porque ser mulher, ser mãe e ser tradicionalista não são realidades opostas – são partes de uma mesma essência, que se fortalece na história e no exemplo que deixamos para as próximas gerações. E, enquanto meu filho cresce ao meu lado, aprendendo desde cedo o valor das nossas tradições, sei que cada sacrifício vale a pena. Porque o legado que deixamos é, acima de tudo, a história que vivemos e o amor!



Gabriela num dos momentos mais sublimes da maternidade.
Gabriela num dos momentos mais sublimes da maternidade.

Precisamos lembrar que para que as prendas paranaenses, assim como Gabriela, tivessem o direito de escolher se querem ou não continuar em seus cargos ou mesmo concorrer sendo mães e esposas, houve muitas lutas. Até recentemente, o regulamento cultural do MTG-PR não permitia que mulheres casadas ou com filhos participassem da categoria adulta. Segundo o regulamento, as concorrentes deviam "ser solteiro(a) e sem filhos, observando-se ainda o contido no artigo 226, parágrafo 3º da Constituição Federal de 1988, que se refere à 'união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar' exceto para categoria veterana e xiru ."

Essa norma não apenas impedia a participação de mulheres nos concursos de prendas, frequentemente restringindo-as à categoria veterana, acessível apenas a partir dos 30 anos, mas também forçava muitas prendas, ao se casarem ou engravidarem, a renunciar aos seus cargos. Muitas vezes, essas prendas em idade adulta enfrentavam a difícil escolha entre dois sonhos que carregam no peito: ser mãe e esposa, ou ser prenda de faixa. Alguns exemplos dessas prendas que precisaram abdicar dos cargos ao descobrirem uma gravidez durante suas gestões foram Bruna Mariá Olivetti, 3ª Prenda do MTG-PR (gestão 2006/2007), e Caroline Pankievicz, 1ª Prenda do MTG-PR (gestão 2016/2018).

Caroline Pankievicz compartilhou um depoimento pessoal sobre sua experiência. Quando iniciou sua caminhada como prenda adulta em 2014, ela era uma jovem de 20 anos, cheia de sonhos e disposta a encarar os desafios que a experiência de ser prenda poderia proporcionar. Em 2016, conquistou o almejado cargo de 1ª Prenda do MTG-PR, cargo que precisou abdicar ao descobrir a gravidez de seu primeiro filho, Bernardo. Confira aqui o relato de Caroline:

Quando iniciei minha caminhada como prenda adulta, em 2014, uma jovem menina de 20 anos, cheia de sonhos, com uma longa caminhada tradicionalista, porém com pouca bagagem, eu estava pronta e disposta a encarar tudo o que a experiência de ser prenda poderia me proporcionar. Aprendi muito durante a trajetória e, em 2016, conquistei o almejado título de primeira prenda do Paraná. Poucos meses depois engravidei, e naquela cabecinha imatura o único pensamento que vinha era: vou perder minha faixa! Eu não sabia nem imaginava como era a maternidade. Durante a gestação, fiquei sim muito chateada em ter que abdicar de um sonho, interromper os muitos planos que havia feito para minha vida tradicionalista, por conta de uma nova vida que eu estava gerando.

Depois que meu pequeno nasceu, que veio aquela tempestade, loucura, terremoto que é a maternidade para uma mãe de primeira viagem, confesso que passei a enxergar a abdicação do cargo de prenda como uma coisa boa, pois eu, na minha realidade, não conseguiria ser a prenda que eu pretendia ser, e me encontrar como a mãe que eu estava me tornando. Com o passar dos meses e a adaptação, enxerguei que poderia sim haver um equilíbrio, tanto que aceitei o cargo de diretora cultural adjunta do MTG-PR. Meu filho estava com 6 meses de idade e consegui trabalhar em dois grandes eventos: o concurso da CBTG e o concurso do Estado. Foi difícil, confesso, mas acredito que entreguei um bom trabalho!

Cada mãe é única, cada mulher segue a maternidade da forma que acredita ser melhor, e que maravilha ter a liberdade de poder escolher continuar no seu cargo quando a maternidade surge em nossas vidas! Ter um filho não me impediu de continuar enchendo minha bagagem de experiências maravilhosas e intensas no meio tradicionalista. Atualmente, vivo uma situação parecida: estou grávida de 7 meses e exerço um dos cargos mais importantes dentro do Movimento, como presidente do conselho de vaqueanos. Com organização, apoio, equilíbrio e, principalmente, sensatez, é possível continuar entregando um bom trabalho, ao mesmo tempo que também é necessário respeitar os limites do nosso corpo e um recém-nascido.

Pessoas importantes tiveram a coragem de alterar o regulamento, e o movimento acompanhou a necessidade dessa mudança. Hoje temos a nossa querida Gabriela, brilhando como prenda e mãe! Com muita sabedoria, saberá equilibrar as duas funções tão significativas e, quem sabe, em breve não tenhamos as mesmas chances dentro da CBTG.


Caroline Pankievicz, Presidente do Conselho de Vaqueanos, 1ª Prenda do MTG-PR (2016/2018) mãe do Bernardo e agora grávida do segundo filho.
Caroline Pankievicz, Presidente do Conselho de Vaqueanos, 1ª Prenda do MTG-PR (2016/2018) mãe do Bernardo e agora grávida do segundo filho.

Em 2015, um encontro cultural na cidade de Guarapuava, presidido pelo então diretor cultural Osvaldo Martins, reuniu representantes de departamentos culturais de várias regiões do estado. Foi então proposta a alteração do regulamento para permitir que prendas mães e/ou casadas participassem da categoria adulta.

Registro do Encontro Cultural de Guarapuava, 2015
Registro do Encontro Cultural de Guarapuava, 2015

Apesar de não aprovada na ocasião, o tema foi retomado durante a gestão da diretora cultural Aline Jasper. Em entrevista realizada com a prenda Jaqueline Novis, soubemos que em 2018, Aline Jasper levou a proposta para a convenção da CBTG em Porto Alegre. Embora soubessem que a proposição provavelmente seria negada devido às diferentes realidades de cada federação, Aline destacou a importância do que a proposta representava.

Delegação do MTG-PR presente na Convenção da CBTG, Porto Alegre - RS, 2018/ Fonte da foto: Facebook
Delegação do MTG-PR presente na Convenção da CBTG, Porto Alegre - RS, 2018/ Fonte da foto: Facebook

A proposta voltou a ser discutida na convenção realizada em Manoel Ribas-PR, no dia 16 de março de 2019. (Confira o depoimento completo da prenda Jaqueline Novis ao final da Matéria).

Em entrevista, A prenda Luana Klein, atual 3ª Prenda Veterana da CBTG 2023/2025, que esteve presente na convenção, destacou a brilhante defesa da proposta pelas prendas Aline Jasper (diretora cultural) e Jaqueline Novis (1ª Prenda do MTG-PR). Argumentaram que ser mãe ou casada não diminui o valor de uma prenda, e que o que realmente define é o trabalho e a dedicação de cada uma. Luana enfatizou que havia prendas maravilhosas e dedicadas ao movimento que, devido ao regulamento, precisaram abdicar de seus cargos, mas que continuam lutando pelo fortalecimento do tradicionalismo gaúcho.


Registro feito durante a 31ª Convenção do MTG-PR, em 2019, na cidade de Manoel Ribas. Na foto a prenda Luana Klein com seu filho Joaquim assistindo a plenária da Convenção
Registro feito durante a 31ª Convenção do MTG-PR, em 2019, na cidade de Manoel Ribas. Na foto a prenda Luana Klein com seu filho Joaquim assistindo a plenária da Convenção

Apesar da opinião contrária de algumas lideranças de renome do tradicionalismo, que afirmavam que a prenda deveria ter dedicação exclusiva ao tradicionalismo e que filhos e casamento poderiam interferir no trabalho, a proposta foi aprovada. O novo regulamento passou a dizer: "Ser solteiro(a) e sem filhos, observando-se ainda o contido no artigo 226, parágrafo 3º da Constituição Federal de 1988, que se refere à 'união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar', exceto para as categorias adulta, veterana e xirú."

Para Luana, o momento foi de grande emoção, pois defenderam uma proposta que, até pouco tempo, era impensável e que, sem dúvida, fortalece ainda mais o tradicionalismo gaúcho no Paraná.


Recorte da ata da 31ª Convenção do MTG-PR onde consta a alteração. - Colaboração da querida Ana Paula Halila, mais uma força feminina dentro do tradicionalismo paranaense
Recorte da ata da 31ª Convenção do MTG-PR onde consta a alteração. - Colaboração da querida Ana Paula Halila, mais uma força feminina dentro do tradicionalismo paranaense


Realizamos uma enquete com o objetivo de entender a opinião dos tradicionalistas sobre a recente alteração no regulamento dos concursos de prendas do MTG-PR, que agora permite a participação de prendas casadas e/ou mães na categoria adulta. Os resultados mostraram que 29,4% dos respondentes têm entre 18 e 30 anos, 41,2% têm mais de 30 anos e 29,4% têm mais de 50 anos. No que diz respeito à experiência e participação, 94,1% dos entrevistados sabem sobre a alteração no regulamento, 88,2% já participaram do departamento cultural, 70,6% já ocuparam algum cargo de liderança, 82,4% já fizeram parte de alguma gestão de prenda, 64,7% são casadas e 76,5% têm filhos.

Em relação às opiniões sobre a dedicação ao tradicionalismo, 53,3% das mulheres acreditam que ser mãe as faz querer ser mais ativas no movimento, 20% afirmam que ser casada e/ou ter filhos não impede a dedicação ao tradicionalismo, enquanto 26,7% consideram que equilibrar vida familiar e tradicionalismo pode ser um desafio.

Os comentários dos participantes refletem a visão positiva sobre a mudança no regulamento: um dos respondentes disse que é uma oportunidade para aquelas que formaram família continuarem atuantes no tradicionalismo. Outro destacou que a alteração só fortalece o movimento, incluindo prendas, mães e esposas que precisariam esperar até a categoria veterana para concorrer nos concursos. Alguns participantes enfatizaram que a maternidade ajuda no amadurecimento e comprometimento dentro do tradicionalismo, e que poder construir a família no Movimento é uma forma de mostrar ainda mais a força da Mulher. Da mesma forma que o peão adulto pode participar dos concursos se for pai, as prendas devem ser vistas e tratadas do mesmo modo. Um participante concluiu que quem deseja participar de uma gestão, não é filho ou marido que impedem o sucesso e um trabalho bem feito. Outro participante, acredita que a proibição de pessoas casadas na gestão adulta é limitante. Ele menciona que existe o receio de que casados, pais ou mães, não consigam conciliar responsabilidades, mas destaca que é mais uma questão individual do que uma regra absoluta.


Com Firmeza e Ousadia: A voz que representou as prendas do Movimento Tradicionalista

Buscamos o depoimento da prenda Jaqueline Novis, que foi, juntamente com a prenda Aline Jasper, defensora da proposição durante a convenção. Jaqueline Novis, que ocupou os títulos de 1ª Prenda do MTG-PR (2018/2020) e 1ª Prenda da CBTG (2019/2023), dando voz a tantas mulheres que a antecederam, desempenhou um papel fundamental na defesa da alteração do regulamento que permitiu às prendas da categoria adulta concorrerem nos concursos e continuarem em seus cargos, mesmo sendo mães ou casadas. Sua liderança e dedicação foram essenciais para promover essa mudança histórica, que fortalece a presença e a participação feminina no tradicionalismo gaúcho. Em seu depoimento, Jaqueline compartilha as motivações e desafios que enfrentou durante essa jornada de conquista e transformação. Confira a seguir o depoimento dela:


Jaqueline Novis/ Fonte da foto: Facebook
Jaqueline Novis/ Fonte da foto: Facebook

Dep. Cultural: O que motivou defender essa mudança?

Jaqueline Novis: Caminhando um pouco antes de 2019, preciso citar o ano de 2016, estávamos no Encontro Cultural em Pitanga, e acompanhei o discurso de abdicação ao cargo de 1a Prenda da época da sempre líder tradicionalista Caroline Pankievicz, hoje Presidente do Conselho de Vaqueanos, que ao conceber uma vida através da gestação, precisou abrir mão de um dos seus sonhos.

Quem estava lá, sabe… nós sentimos a dor em cada palavra, a insatisfação, a frustração… eu fiquei dias e meses pensando na situação e porquê as coisas precisavam ser assim, pois a Carol iniciava uma gestão estadual linda… a admirei pela força e posicionamento coerente com senso do que isso representou pra todos nós na época.

Desde então, eu mesma questionava o que impedia uma mãe e prenda exercer as atividades de uma Prenda Adulta. Foi um misto de tristeza e insatisfação, eu pensava que isso não poderia permanecer assim.

O tempo passou, e em 2018 iniciamos uma Gestão de Prendas e Peões e retomamos um departamento jovem com a proposta da “inovação”: pautas atuais, mentes pensantes e formadoras de caráter, uma gestão marcada por um trabalho que reestruturou diversas questões no departamento… era quase que impossível que essa representatividade não provocasse mudanças no fazer departamento cultural em nosso Estado.

Estivemos na Convenção da CBTG em Porto Alegre, salvo engano em 2018, e a nossa Diretora Cultural, Aline Jasper, “estreou” a proposição relacionada a união estável e ter filhos da categoria adulta, sabendo que seria uma proposição negada pelas realidades diferentes de cada federação, mas com senso de pertencimento a importância do que a proposição realmente representava. Confesso que algumas falas contrárias a proposição me assustaram também, no que concerne a pauta conservadorismo x tradicionalismo.

Mas a Aline não desistiu, e em 2019 levou a proposição à Convenção do MTG Paraná. Essa era uma pauta que nos unia enquanto 1ª Prenda e Diretora, ela tinha todo o meu apoio se fosse preciso defender a pauta, pois nós defendíamos a mesma questão.

Então, lá estávamos em Manoel Ribas, 2019. Eu tinha propostas minhas também a serem aprovadas, pois sempre fui uma liderança que tentava de forma prática contribuir para mudanças através de convenções e congressos, e hoje colhemos alguns frutos disso com outras alterações.

Como nós através da Gestão Estadual já trabalhávamos as inovações em cada região e CTG que atuávamos e também nas redes sociais, não foi uma “pauta chocante” na plenária cultural, onde foi aprovada em primeira instância. Sabíamos que ao final, poderiam surgir resistências, e não foi diferente. Abriram novamente para discussão naquela atmosfera “tensa” de convenções que quem já participou, sabe rs

Quando algumas lideranças se posicionaram contrárias e foi aberto novamente para votação, não pensei duas vezes em pedir fala para defender e insistir na aprovação, sabendo o peso da minha representatividade enquanto 1ª Prenda do Estado para muitos tradicionalistas de outros departamentos votantes que poderiam não ter conhecimento total da importância da proposição.

Defendi com firmeza e ousadia aquilo que acreditava. Durante a fala, pude acompanhar a mudança de feição e reação de toda a comunidade tradicionalista presente, que prontamente mantiveram-se favoráveis a alteração. Foi inexplicável o sentimento… a comoção de outras prendas presentes que também já haviam abdicado do cargo na categoria adulta pelo mesmo motivo.

Foi inesquecível, de fato. Isso me impulsionou na época enquanto liderança jovem a continuar contribuindo para o movimento seja através de posicionamentos favoráveis a proposições, seja através de proposições próprias, de opiniões que se tornaram ações concretas no Paraná e no Brasil Tradicionalista.

Sofri muito com distorções relacionadas a minha atuação, mas não seria diferente, pois toda e qualquer mudança também gera desconforto no início.

Hoje vemos uma Prenda Adulta, Gabriela de Oliveira Silva, com história e prestígio no tradicionalismo paranaense e brasileiro - e que sempre admirei e respeitei - usufruindo dessa questão regulamentar se dedicando a maternidade e ainda assim com uma gestão estadual linda a dar continuidade com os seus colegas de gestão e diretoria, onde todos estão fazendo um excelente trabalho!

Valeu a pena. E que continue sendo uma gestão linda e uma nova fase enquanto mãe abençoada! Que outras prendas adultas e mães possam exercer seus papéis.


Dep. Cultural: O que significa para o movimento?

Jaqueline Novis: - Hoje enxergo o movimento sob outro viés (mais maduro e menos “imponente”, talvez), compreendo o zelo de lideranças construídas ao longo dos anos e o que representava a eles a mudança.

Como citei no livro “Juventude Tradicionalista do século XXI”, a mudança não vem na contra mão do que é característico e cultural do movimento.

Mudanças como essa apenas contribuem para a manutenção de um movimento sócio cultural histórico para as realidades da nossa sociedade e nossa vida para além do tradicionalismo. Iniciar uma família - parte tão característica do que é tradicional - não é um impeditivo do fazer tradicionalismo exercendo uma liderança tão importante como ser Prenda Adulta.

Muitas vezes eu me pronunciei dizendo sentir orgulho em ser MTG Paraná… hoje, reformulo o meu posicionamento publicamente para afirmar que sinto orgulho de todos aqueles que construíram um departamento cultural e também artístico (os dois departamentos em que atuei na esfera estadual) com senso crítico, com seriedade, com formalidade e pertencimento de comprometimento á causa!


"Mesmo não sendo mais tradicionalista, os meus desejos são de que mais prendas e diretores jovens se levantem, defendam a “nossa” pauta, se engajem no que verdadeiramente acreditam e contribuam a partir disso.

Vocês são capazes! Vocês podem fazer história! Sigam adiante, sabendo do peso da responsabilidade! "

Com a firmeza e ousadia de sempre,

Jaqueline Novis


A alteração no regulamento do MTG-PR representa uma conquista significativa para as mulheres no tradicionalismo gaúcho, permitindo que prendas casadas e/ou mães continuem a contribuir com seu talento e dedicação ao movimento. Graças ao exemplo inspirador de mulheres como Gabriela de Oliveira Silva e Caroline Pankievicz, e ao compromisso de figuras importantes como Aline Jasper e Jaqueline Novis, e tantas outras mulheres que lutam por seus direitos e convicções, o tradicionalismo gaúcho se fortalece e se torna mais inclusivo. Esta mudança não só promove a igualdade de gênero, mas também valoriza a diversidade de experiências e o papel fundamental das mulheres na preservação e promoção das tradições culturais.

Hoje, temos a escolha de ser ou não, de decidir se conseguimos ou não continuar com nossos cargos ou enfrentar novos desafios. O que antes era uma restrição tornou-se um direito de escolha, um reflexo da evolução e do reconhecimento da importância da mulher dentro do movimento. É emocionante ver como a coragem e a determinação de muitas mulheres têm moldado e continuarão a moldar um movimento mais acolhedor e respeitoso, onde cada sonho pode ser perseguido e cada voz, ouvida, sem perder a sua essência.


Texto: Bruna Calixto

1ª Prenda Veterana do MTG-PR 2024/2026


Fonte de pesquisa Wikipédia


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