Indumentária Gaúcha - Projeto Caminhos do Conhecimento
- departamentocultural

- 15 de fev. de 2025
- 7 min de leitura
Atualizado: 19 de fev. de 2025
A indumentária gaúcha, com sua rica história e tradições, foi tema de um encontro inspirador conduzido pelas prendas Kayane Alebrante (3ª Prenda do MTG - PR), Giovana Adriane Bortot ( 2ª Prenda Xiru do MTG - PR) e Maria Clara Chioquetta Stedile ( 2ª Prenda Juvenil do MTG - PR), durante o projeto "Caminhos do Conhecimento". A live realizada no dia 16/12/2024 no Instagram proporcionou aos espectadores conhecer um pouco mais sobre a vestimenta típica dos gaúchos.
O texto a seguir foi retirado do material apresentado durante a live. Confira:
Indumentária Gaúcha
Conceitos:
Para falarmos da indumentária gaúcha, é importante saber alguns conceitos fundamentais sobre roupa, traje, figurino, indumentária e moda:
Roupa ou Vestimenta: Usado para proteção, artefatos que cobrem o corpo. “Tudo o que serve para cobrir o corpo, adorná-lo, ou para protegê-lo do frio ou calor”.
Traje: É a forma de se expressar individualmente por meio da aparência. Se constitui no modo pessoal, e adotado pelo usuário o que é proposto pelo seu grupo.
Figurino: São roupas e acessórios que produzem personagens, com o objetivo de representação, que pode ou não ser realista.
Indumentária: É um vestuário tradicional, com significado simbólico, que vai além do indivíduo, representa a coletividade. Agrega uma herança e identidade cultural. Tem como objetivo a funcionalidade, costumes cristalizados e a aparência fixada na tradição.
Moda: No século XV, a palavra “Mode” começou a ser utilizada em francês, significando “maneira de se conduzir”. Esse sentido de “ao modo”, “à maneira”, passou a designar os gostos, preferências como as pessoas se vestiam, escolhas estéticas e opiniões.
Traje do Índio Gaúcho - 1620 à 1730
A mulher missioneira usava o tipoy, um vestido longo feito de dois panos costurados, com aberturas para os braços e o pescoço, ajustado na cintura com um cordão chamado chumbé.

Feito de algodão esbranquiçado, o tecido adquiria tons avermelhados pelo pó das Missões. Em festas, era substituído por um tipoy de linho branco, enquanto em procissões religiosas, usavam mantos em tons roxo ou negro.
Os índios cavaleiros, como os Charruas e Minuanos, destacaram-se pela habilidade com cavalos trazidos pelos brancos. Vestiam o chiripá, uma saia de pano até os joelhos, e o cayapi, um couro de boi pintado com listras que também servia de cama. As mulheres usavam apenas o chiripá, decorando o rosto com pinturas rituais e adornos de colares.
Traje do Chiripá Primitivo - 1730 à 1820

O traje do peão das vacarias era simples e funcional, ideal para cavalgar e lidar com o gado. Usava o chiripá primitivo, faixa larga ou guaiaca na cintura para carregar objetos e armas como faca, boleadeiras e lança. O pala e o poncho, de lã grossa, protegiam do frio e da chuva, enquanto as botas de garrão-de-potro garantiam praticidade, embora durassem pouco.
Na cabeça, vincha, lenço ou chapéu de palha e feltro, presos com barbicacho. Já as mulheres vestiam saias longas e rodadas, blusas claras e, raramente, bombachinhas, mantendo pés e pernas geralmente descalços.
Traje Estancieiro - 1730 à 1820
Prenda:
Entre 1730 e 1820, a mulher estancieira vestia-se com elegância e sobriedade, refletindo o status de sua família. Os vestidos, feitos de seda ou veludo, tinham corte tubular ou cintura alta, com saias até o tornozelo, babados discretos e mangas longas.
As cores eram claras e neutras, evitando brilhos, transparências e tons contrastantes. Acompanhavam o traje anáguas, bombachinhas brancas e botinhas fechadas de cor preta ou marrom com salto baixo.
Os cabelos eram presos em coque, adornados com travessas ou flores, e cobertos por véus claros de seda ou filó. Joias discretas, como camafeus e anéis, complementavam o visual, junto ao indispensável leque e xale. A maquiagem era mínima, enquanto o conjunto revelava um equilíbrio entre sofisticação e modéstia.
Peão:
Período: 1730-1820;
Patrão das Vacarias: o primeiro caudilho rio-grandense, tinha mais dinheiro e se vestia melhor;
Foi o primeiro estancieiro e trajava-se à europeia;
Utilizava braga (espécie de calça ou calções usados antigamente) e ceroulas de crivo;
Passou a usar botas de garrão de potro, invenção gauchesca;
Usava cinturão-guaiaca de couro curtido e lenço no pescoço;
Nos cabelos usavam, uma tira de pano amarrado na nuca e chapéu de pança de burro.
Fraque
O fraque é um traje de cerimónia que se usa em eventos que tenham lugar durante o dia;
É o equivalente diurno à casaca (hoje usada apenas em eventos muito formais) e ao smoking (usada em eventos noturnos formais e sofisticados);
Inicialmente, era usado pelos cavalheiros ingleses do século XIX como uma roupa elegante para montar a cavalo durante o dia;
A utilização do fraque decresceu depois das limitações impostas ao uso de tecido durante a 1ª Grande Guerra; durante a revolução industrial, era comum ver homens de negócios a envergar fraque no seu dia-a-dia, sendo também utilizado em variadas funções sociais, quer pela nobreza, burguesia ou pela classe política.
Traje Chiripá Farroupilha ou Fronteiriço - 1820 - 1865
O Chiripá é uma peça retangular, usada entre as pernas pelo gaúcho das três fronteiras: Argentina, Uruguai e Brasil. Embora haja indícios de que tenha surgido em 1830, não há registros oficiais que comprovem essa data, nem que tenha sido utilizado na Revolução Farroupilha.
Em 1884, João Mendes da Silva descreveu o Chiripá como:
“Vestimenta usada pelos peões de estância e camponeses, que consta de uma peça quadrilonga de fazenda (metro e meio), a qual, passando por entre as pernas e apertada na cintura em suas extremidades por uma cinta de couro ou por uns tirados. Para fazer o chiripá pode-se empregar e usa-se geralmente, um poncho de pala.”
O Chiripá Farroupilha pode ser liso ou com barrado listrado nas extremidades. Ele é confeccionado com tecidos como gabardine (tecido sintético com fio de algodão), algodão, linho e lã (baeta, merino) e mesclas, sempre em padrão liso e vicunha. As cores variam entre as sóbrias e neutras (cinza, marrom, bege em seus variados tons), as frias (como verdes e azuis) e as quentes (como as rubras e o telha).
É desaconselhado o uso de tecidos transparentes ou de viscose devido ao caimento exagerado. Quando o Chiripá possui listras, estas podem ser de tons e/ou cores diferentes da peça, criando contrastes, desde que preservem o fundo do pano da peça aparente.
No Brasil, o Chiripá é amarrado atrás e fixado na cintura pela guaiaca. Já na Argentina e no Uruguai, é amarrado na frente e fixado na cintura pela faixa. Seu uso é indicado para as categorias Adulto, Veterano e Xiru.

Quando o chiripá é feito de fazenda comprada (lisa) e se quer adicionar as listras, como as feitas no tear, pode-se costurar em continuação à peça principal ou ainda por cima desta, um pano listrado consoante ao tom de fundo do pano principal.
Porém, deve-se ter cuidado, para que este pano barrado não prejudique o caimento da peça.
Lenço Carijó:
Com Chiripá, não é correto usar devido a diferença de época
Começou a ser fabricado em 1960
Não usar amarrado na cabeça
Pode ser usado com bombacha
Ceroulas:
As ceroulas não podem se largas e devem ser de preferência de tecido natural por causa do caimento.
Podem ser com franjas ou sem.
Sem franjas só pode ser usada por dentro das botas
Chiripá Farroupilha ou Fronteiriço - Prenda
A mulher, neste período, utilizava saia e casaquinho, com tecidos lisos, cores claras e discretas rendas e enfeites;
Utilizavam meias longas, de cor bege ou branca e sapatos fechados discretos;
Usavam o cabelo solto ou trançado, para as solteiras e para as senhoras, coque;
Usavam como jóias, apenas um camafeu (qualquer peça de pedra fina, talhada em relevo) ou broche (joia ou bijuteria provida de um alfinete longo ou de um alfinete com fecho, que se usa geralmente ao peito para enfeite);
Ao pescoço, usavam um fichú (triângulo de seda ou crochê, com pontas fechadas por um broche);
Este traje foi usado pelas ricas e pobres da época.
Traje atual - à partir de 1865
Traje atual - Peão
Bombacha
As primeiras bombachas usadas no RS, foram compradas da França, como sobras de fardamento depois da Guerra da Crimeia, sendo adotadas como fardamento militar de algumas tropas, durante os combates da sangrenta Guerra do Paraguai (1864 – 1870).
Após a guerra do Paraguai, os veteranos de guerra continuam usando a peça,e os civis a copiar e vestir essa calça larga.
Pode ser de algodão, linho ou lã. O tecido mais usado foi o brim. O merino foi muito apreciado (tipo de lã de boa caída e qualidade).
Hoje, usam-se tecidos como gabardine, casimiras, oxford, lã fria, algodão de alfaiataria, sarja, diversas mesclas e outros.

Segundo Paixão Côrtes (1978), a bombacha sem favo era para o uso cotidiano e também mais popular entre os gaúchos da fronteira (com Uruguai e Argentina).
A largura da perna da bombacha pode indicar sua regionalidade: Ex.: na fronteira, mais largas que nas missões e, na serra, mais estreitas.
Lenço:

Colete:
Quando usado com bombacha, é sóbrio, discreto e simples. Quando usado com Chiripá é mais colorido, com gola, bordado e transpassado.
Camisa:
Quando usada com Chiripá, é mais larga e de linho ou algodão, cores claras, sem bolso. Quando usada com bombacha, pode ser cor clara, listrada ou xadrez discreto e sem bolso. Também fazem parte da indumentária a Guaiaca, faixa, bota forte, espora.
Traje atual - Prenda
A mulher utilizava e utiliza saia e blusa, saia e casaquinho ou, ainda, vestido. Estes devem ser de tecidos lisos ou estampados discretos, de cores harmoniosas, evitando-se cores fortes, berrantes e fosforescentes. Proibido o uso de vestidos brancos e pretos;
Deve utilizavar meias longas o suficiente para não permitir a nudez das pernas e cores branca ou bege;
Pode-se utilizar sapatilha ou botinha, nas cores preta, marrom e bege;
Os cabelos podem ser soltos, presos, semipresos ou em tranças, enfeitados com flores naturais ou artificiais (sem brilhos e purpurinas), ou com uma pequena travessa (sem exageros). Os arranjos florais não podem ser confeccionados de biscuit e meias de seda e o coque é permitido somente para prendas adultas e veteranas.
Como joias pode-se utilizar brincos, camafeu e anel de joias ou imitações de pedrarias e o strass pode ser usado, mas não em exagero.
Tecidos estampados: Usar fundo claro com estampas miúdas (flores, laços). O xadrez e o listrado pode ser fundo escuro porque era feito no tear.

Acessórios de Prenda


Referências bibliográficas
POLLINI, Denise. Breve História da Moda, 2007.
CÔRTES, Paixão. O Gaúcho, 1979.
ZATTERA, Vera Stedile. Ponchos e Chiripás. 2020.
FAGUNDES, Antonio Augusto. Indumentária Gaúcha, 1990.
DAMASCENO, Athos. Apontamentos para o estudo da indumentária no Rio grande do Sul, 1957.
PRONAC, Pilchas Gaúchas - Tudo sobre a indumentária do gaúcho. Giovani Premieri;Disponível em: https://pilchasgauchas.com.br/
LABCULTURA, Curso On -line Moda e Indumentária Gaúcha, Edinéia Pereira da Silva; 2024.









































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